sábado, 25 de dezembro de 2021

Eleições de 2018 e o Separatismo

29/06/2017

JÚLIO BUENO

Hoje os principais nomes citados para a presidência da República são: Lula, Bolsonaro, Alckmin, Dória, Ciro Gomes e Marina Silva.

Eis o que poderá vir a acontecer caso ocorra a vitória de algum desses nomes (o que, com 99% de chances de se cumprir, pois o nome de um outro postulante, como Álvaro Dias, Ronaldo Caiado, Joaquim Barbosa, Luciana Genro seria algo realmente imprevisto, baseando-se nos levantamentos dos institutos de pesquisa e também das informações políticas que temos acesso até o presente momento).

As ações da Justiça tem feito um bem muito grande ao país, ao trazer a necessária desconfiança sobre a classe política, mostrando que nessa terra não existe ideologia que consiga ser mais forte do que a incontrolável vontade de roubar o erário público. Contudo, por outro lado, muitos ainda não se sensibilizaram para essa realidade e se apegam em fiapos de esperança, crendo que o Ministério Público, a Polícia Federal ou a "República de Curitiba" irão conseguir colocar um rumo no Brasil. Estão enganados.

As pesquisas que tem sido veiculadas mostram que no presente momento, após anos de verdadeira malhação pública por parte de setores importantes da imprensa e da opinião pública, a figura de Lula continua sendo a mais forte em várias regiões do país (sobretudo o Nordeste) e entre as classes sociais mais baixas. Em uma eleição, sabemos que as taxas de rejeição de um candidato são fatores decisivos, mas em um cenário onde praticamente todos tem altíssimos índices de rejeição alguém acabará tendo que ser eleito. Hoje, seria Lula.

Bolsonaro é uma figura que assim como Lula tem despertado muitas paixões, sobretudo entre os mais jovens. É incrível o número de alunos meus, na faixa dos 15 anos que são simpáticos ao ex-capitão do Exército. Sua força eleitoral se concentra num eleitorado radicalmente anti-petista, de pessoas que não tendem a mudar mais o seu voto. Eu desconfio da capacidade que Bolsonaro tem para atrair novos eleitores. Desconfio também da capacidade dele em ser ... político. Sim! Bolsonaro é deputado, mas não é político. Não negocia nos moldes tradicionais da política nacional. É assim que até agora tem preservado intacta a sua imagem de incorruptível. Se for para um segundo turno com Lula, fatalmente perderá, por que, justamente não atrai o voto medroso, o voto do moderado.

Geraldo Alckmin hoje seria o candidato do PSDB. As denúncias que foram depositadas sobre si não foram capazes de, politicamente, tirá-lo do páreo. É o último cacique tucano que já disputou a presidência que restou com potencial eleitoral (José Serra está velho, doente e com a imagem muito desgastada e sobre Aécio Neves não há mais o que dizer: é um zumbi eleitoral). Sua candidatura representaria a saída política do acordão das elites. É a velha política. A imprensa do Brasil, sobretudo de alguns estados começará a falar que é o retorno da Primeira República e da hegemonia de São Paulo sobre o Governo Federal. A imagem de Alckmin é queimada, para muitos, mas também um símbolo de firmeza em tempos de tormenta. Contra Lula perderia e ainda correria o risco de ficar fora do segundo turno, dando sua vaga para Bolsonaro.

Coloco João Dória como o maior fenômeno eleitoral presente. Teve uma vitória retumbante para a prefeitura da maior cidade do Brasil, aliando a política tradicional de bastidores (realizada por seu padrinho ~ e atual concorrente a pré-candidato à presidência ~ Geraldo Alckmin, que negociou secretarias e cargos em troca de apoio de partidos, para agregar tempo de TV) com o discurso de que não é político e não representa a velha classe política, mas um gestor, algo que, até agora, está colando para a população, feliz, após 4 anos de total abandono da gestão Haddad e que agora se regojiza em ver um alcaide que parece ser onipresente. Ações como a realizada na Cracolândia não parecem abalar a imagem de Dória e ele tem levado sua figura, agora de gestor público, para Brasília e o Rio de Janeiro. É uma já nada discreta pré-candidatura.

Dória, para mim, é o único com força para conseguir vencer Lula. Conseguiria unir parte do eleitorado radical e cansado, de Bolsonaro, com o eleitorado conservador e centrista, tipicamente tucano. É a única saída efetiva para o PSDB.

Caso Lula não venha se candidatar (ou não possa, por prisão, doença ou morte) as esquerdas devem concentrar suas forças em torno do neo-coronel Ciro Gomes. O discurso de Ciro é alucinante! Ele consegue elogiar Donald Trump e meter o pau em Lula e Dilma e ainda assim ser amado pela esquerda. Tem, ainda, a reputação de homem público portador de alguma honestidade. Sem Lula na disputa, em um cenário contra Alckmin, ele se torna um nome com muita força eleitoral, pois conseguiria atrair votos de todos os demais candidatos. Ciro Gomes odeia São Paulo (ele foi parido em Pindamonhangaba, mas nem os ares de nossa terra ele chegou a respirar - é um acidente geográfico natalício) e nos anos 1990 foi perseguidor de separatistas na imprensa. É um tumor da política nacional que de tempos em tempos aparece. É uma doença antiga que ninguém consegue fazer desaparecer de vez.

Marina Silva, por sua vez, no meu entender pode dar as mãos para Bolsonaro no partido dos políticos ruins de fazer política. A também eterna candidata sempre sai com uma boa força para a disputa, mas sua maneira de levar a campanha, seu tom vacilante, seu ar de tucano-petista ou petista-tucano não consegue empolgar e parte de seus possíveis eleitores, que na hora da decisão acaba fazendo o voto-útil ou no PSDB ou no PT, a depender de qual for o seu pendor social-democrata. Ela pode crescer, mas duvido que consiga ir para o segundo turno. Se conseguir repetir o terceiro lugar deve dar-se por satisfeita.

Como fica o Brasil, pós 2018?

Se Lula vencer os caminhos do país continuarão os mesmos. O populismo de esquerda sairá fortalecido e o PT deverá colocar mais em uso uma estratégia de tipo bolivariano, dando forças ao MST, MTST, Frente Brasil Popular, CUT e UNE. Lula terá de se fiar nos seus, por que sabe que, se eleito, enfrentará uma oposição cada vez mais forte, tanto quanto Dilma enfrentou, desde sua vitória em 2014. Pedidos de impeachment serão protocolados desde os primeiros dias do ano legislativo. A operação Lava Jato será institucionalmente perseguida e a Polícia Federal terá um delegado geral que será totalmente fiel ao PT, além de um ministro da justiça que faça o serviço xerife mor do petismo.

Para o separatismo, a vitória de Lula fará com que uma desilusão ainda maior ocorra em São Paulo, que votará em peso contra ele. Sem falar no fato dos três principais nomes da oposição possíveis, Alckmin, Dória e Bolsonaro serem Paulistas. Seria uma excelente oportunidade para fazer a causa Paulista crescer mais ainda, surfando na onda de indignação criada, tal como em 2014.

Caso Bolsonaro vença o país ficará também em situação de impasse. A justiça continuará sua caça aos corruptos, como tem tentado fazer, mas os setores dominados ideologicamente pelas esquerdas, dentro das instituições, irão boicotar sistematicamente o novo governo. Bolsonaro ainda dependeria de acordos com o poder legislativo, visto que hoje, pouco mais de um ano para a eleição, ele sequer tem uma legenda definitiva por onde disputar o pleito.

Ah, e no caso da vitória do ex-militar, as esquerdas se mobilizariam totalmente, com invasões, destruição de patrimônio público, ruas bloqueadas, ônibus incendiados, fazendas invadidas, universidades públicas em greve. Um caos que teria que ser resolvido com muita violência e nós sabemos que Bolsonaro não hesitaria em dispor de força máxima contra toda a espécie de baderneiros esquerdistas.

Para o separatismo, a vitória de Bolsonaro pode ser tanto positiva quanto ruim. Positiva por que o caos ainda permanecerá rondando as instituições e o país como um todo, mostrando a inviabilidade de qualquer mudança política, que não a secessão. Ruim, por que Jair é um nacionalista com a cabeça típica de quem foi formado no espírito da Doutrina de Segurança Nacional, da época dos governos militares, radicalmente avesso a qualquer tentativa de fragmentação do território brasileiro. Ele se cercaria de assessores da dita nova direita, também, em grande parte avessa ao separatismo e extremamente impressionável e susceptível.

A vitória de Dória poderia ser um analgésico para muitos. Ele traria alguma estabilidade passageira na economia. Entregaria o Ministério da Fazenda a Armínio Fraga e sua equipe da Gávea. O mercado rapidamente voltaria a colocar confiança no Brasil. A The Economist irá colocar em sua capa a cara de Dória, dizendo ser ele o Macron brasileiro. Sua vitória doparia muitos separatistas, que mais parecem ser antipetistas do que verdadeiros nacionalistas Paulistas.

Caso Alckmin venha a vencer, seria a vitória do establishment, de velhos tucanos e de fisiologistas do PP, PR, PMDB, PSD e tantos outros. Se conseguir dominar a Polícia Federal e o MP, será tão analgésico quanto Dória. Penso que o cenário seria parecido diante de hipotética vitória de Marina Silva.

Todas essas perspectivas estão sendo feitas com base nas informações que temos públicas até a presente data e a visão que permeia o texto é de alguém que não está nem um pouco preocupado com Brasil, mas em fazer de São Paulo um país soberano e independente. Como sempre digo, eleições são momentos de rupturas históricas controladas e é em momentos de ruptura em que nós, separatistas, ganhamos forças. O marasmo político não é nosso auxiliar. Sabemos que esse país é inviável, por que conhecemos a sua história, mas o povo não liga para o passado, pois sua cabeça se coloca sempre em um presente contínuo sem fim. Se o caos brasiliense se acalma, nós perdemos forças.

Como já fiz minha aposta, a reitero: Lula será eleito presidente ano que vem. Que estejamos preparados para isso.

*O autor é Professor de História e ex-presidente do MSPI.

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